Atividade: Comunicação Oral

FUGA E ESQUIVA EM DIFERENTES CONTEXTOS: O DESAFIO DO PROCESSO DE PSICOTERAPIA COM UM ADULTO COM ESCASSA EXPOSIÇÃO A CONTINGÊNCIAS PROMOTORAS DE AQUISIÇÃO DE REPERTÓRIOS IMPORTANTES

 

CLAUDIANE DO ROCIO QUAGLIA NUNES

Universidade Nove de Julho - UNINOVE

 

Eliana Isabel de Moraes Hamasaki

Universidade Nove de Julho - UNINOVE

 

Estudos e discussões na análise do comportamento enfatizam o papel relevante das interações sociais para aquisição e manutenção de repertórios importantes e gratificantes às pessoas. Dessa forma, quando uma pessoa é exposta a constantes
contingências coercitivas ao longo de sua vida, pode-se observar déficits no repertório social repercutindo em baixa variabilidade comportamental, além de sentimentos como insatisfação, tristeza, incapacitação etc. O presente caso ilustra a história de Gabriel, à época do início do processo psicoterapêutico, com 37 anos, solteiro; namorando há pouco menos de um ano; desempregado há muitos anos, embora fosse formado em História. Residia em uma cidade da região metropolitana de São Paulo, com sua mãe, separada de seu pai, desde que Gabriel tinha 06 anos. A procura por atendimento se deu, principalmente, em função do diagnóstico de depressão que, segundo seus relatos, lhe foi dado há nove anos. Fazia uso de ansiolíticos. Gabriel relatou experiências pouco satisfatórias com psicoterapia; entretanto, admitisse a importância do processo e sentia que deveria buscar novamente esse tipo de serviço. A namorada o incentivou a procurar ajuda, pois, embora, segundo ele, tivessem um bom relacionamento, ela se queixava da inapetência sexual dele. Foi possível observar, desde as primeiras sessões, que Gabriel apresentava um quadro típico de depressão, com alguns episódios de ansiedade, estresse, nervosismo, marcados por inúmeras reações físicas e, também, por comportamentos de isolamento e de esquiva de diversas situações: busca por emprego; contato com o pai; outras interações sociais. No processo, priorizou-se, inicialmente, a facilitação de exposição de sentimentos, por meio da modelagem de relatos quanto à identificação, nomeação e descrição das variáveis de controle destes. Uma vez que Gabriel apresentava bom repertório verbal descritivo, tornaram-se evidentes muitos comportamentos governados por regras que potencializavam ainda mais seus comportamentos de medo, isolamento, além de sentimentos de inferioridade. À exceção da namorada, ficou claro que a mãe e outros membros da família invalidavam os seus  sentimentos e comportamentos. Por exemplo, Gabriel recebia apelidos e descrições depreciativas ou jocosas e, também, verificou-se que, especialmente a mãe, o tratava com excesso de proteção que o impossibilitava de expor-se a contingências que poderiam adquirir funções reforçadoras positivas. Assim, a psicoterapeuta assumiu a função de tornar-se uma audiência altamente reforçadora, validando as descrições e análises realistas das contingências realizadas por Gabriel. Atualmente, a psicoterapeuta vem confrontando as suas análises com as análises de Gabriel que, por sua vez, tem apresentado maior tolerância emocional e maior repertório comportamental, indicativos de aquisição de repertórios importantes para a sua autonomia e desenvolvimento de autoconhecimento.

Palavras-chave: Depressão; contingências coercitivas; processo psicoterapêutico; audiência reforçadora.