Atividade: Comunicação oral (Estudo conceitual)

 

Denominações de terapias de base comportamental e cognitiva: uma revisão

 

Caroline da Cruz Pavan-Cândido

Universidade de São Paulo - Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto

 

Roberto Alves Banaco

Núcleo Paradigma

 

Carmem Beatriz Neufeld

Universidade de São Paulo- Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto

 

Este trabalho pretende apresentar as diferentes denominações, e suas respectivas definições, atribuídas às terapias de base comportamental e cognitiva, utilizadas por autores da área, para se referir a suas práticas. É consenso que existe uma variedade de práticas clínicas destas áreas compartilhando algumas características e diferindo fortemente em outras; que as diferentes denominações atribuídas a elas não indicam necessariamente que são diferentes e que sob as mesmas denominações estão incluídas intervenções diversas. Algumas denominações são identificadas como subtipos ou ramificações destes grupos. Diante disso, realizou-se revisão de publicações nos periódicos Perspectivas em Análise do Comportamento (PAC), Revista Brasileira de Terapia Cognitiva (RBTC) e Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva (RBTCC). Foram recuperados 157 artigos, utilizando-se os termos: Análise Clínica do Comportamento (ACC), Clínica Analítico-Comportamental (CAC), Modificação do Comportamento (MC), Terapia Analítico-Comportamental (TAC), Terapia Cognitiva (TC), Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia Comportamental (TComp) e Terapia Comportamental-Cognitiva (TCompC). Foram incluídos aqueles que apresentassem alguma definição de terapias de fundamentação analítico-comportamental, comportamental ou cognitiva. Desta forma, restaram 14 artigos para análise (7 da RBTC, 6 da RBTCC e 1 da PAC). Foram encontradas definições para todos os termos buscados, exceto TCompC e MC. Adicionalmente, foram encontradas definições de Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Psicoterapia Analítica-Funcional (FAP), Terapia Comportamental-Dialética (DBT), Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR), Terapia do Esquema (TE), entre outros, que não estavam incluídos na busca. Os autores da área cognitiva utilizam os termos TC e TCC como sinônimos, sendo que alguns apontam este uso intercambiável, outros não exploram esta questão. Apontam também que a característica que une estas intervenções é o pressuposto básico do papel mediacional fundamental da cognição. Quanto às de base comportamental, há autores que afirmam que TComp se refere a um grupo de terapias mais ou menos fundamentadas no Behaviorismo Radical; outros, mais detalhadamente, descrevem que sob esta denominação encontram-se intervenções baseadas no condicionamento respondente, a MC, a Análise Aplicada do Comportamento e a ACC. A TAC e a TCR são as modalidades mais citadas neste grupo. Em relação à ACT, FAP e DBT, chamadas de terapias de terceira onda, não há consenso se são parte do grupo de base comportamental ou cognitiva. Diversas implicações podem derivar destas características. Uma delas está relacionada à força e ao estabelecimento da área, que pode perder a coesão e sofrer enfraquecimento se diferentes denominações forem utilizadas para se referir às mesmas práticas.

 

Palavras-chave: Terapia analítico-comportamental; terapia cognitivo-comportamental; clínica.