Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)     

 

CONTINGÊNCIAS AVERSIVAS NO CONTEXTO FAMILIAR: MUDANÇAS
COMPORTAMENTAIS SOB O ENFOQUE DA TERAPIA DE CONTINGÊNCIAS DE
REFORÇAMENTO (TCR)

BÁRBARA MAÍRA DA COSTA

Tatiana Lance Duarte

ITCR – Campinas

A cliente chama-se Sueli (57), 2º grau incompleto, dois filhos, servidora pública na área da saúde, casada há 40 anos. Ela trouxe como queixa inicial: “Depressão, assim, me sinto insegura, tenho muita tristeza e às vezes angustia também. (...) quero fazer tudo para todos. Eu esqueço de mim também. Então, assim, desde criança tenho essa tristeza.” Durante as sessões de psicoterapia foi possível identificar que esses sentimentos relatados pela cliente estavam relacionados às contingências coercitivas vivenciadas no contexto familiar de maneira recorrente, e por longo período de tempo. A psicoterapeuta identificou que desde o início do casamento, Sueli vivenciou inúmeros episódios de traição advindos da relação com o marido e dificuldades na condução da educação dos filhos. Ao longo do processo a psicoterapeuta discriminou que o marido apresentava quadro de alcoolismo. Ele revelava um padrão comportamental de falar de modo agressivo, fazia críticas e acusações severas, gastava em excesso, limitava o acesso a reforçadores para Sueli e demandava cuidados especiais com sua saúde. Tais contingências em operação geravam muito sofrimento, frustração e sentimentos de culpa em Sueli. A relação com a filha era conflituosa, e desencadeava o mesmo padrão de sentimentos na cliente. As contingências coercitivas no contexto familiar instalaram na cliente dificuldades para colocar limites nas relações interpessoais, déficit de repertório de contracontrole,, uso de regras disfuncionais e déficit de repertório de auto-observação. Os objetivos da psicoterapia foram alterar esses comportamentos indesejáveis emitidos por Sueli e desenvolver repertório adequado de enfrentamento. Os resultados foram: (a) discriminação de estímulos dos quais seu comportamento era função; (b) aquisição de repertório assertivo e de enfrentamento (negar pedidos, requerer cooperação, impor limites, enfrentar situações novas); (c) atenuação dos sentimentos de culpa ao descrever adequadamente as contingências; (d) discriminação das consequências de agir de maneira mais assertiva; (e) relatos de sentimento de alívio e percepção de mudança.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento(TCR); Relação Familiar; Sentimento de Culpa.