Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)

 

 

VIVENDO COMO VÍTIMA DAS CONTINGÊNCIAS

 

Andreza Paulino dos Santos

 

 

Ivan (46), vendedor, recém divorciado, chegou à psicoterapia com queixas de dificuldade de interação com a ex-esposa e problemas profissionais. A psicoterapeuta identificou em Ivan excesso de comportamentos de fuga-esquiva, pois o mesmo se colocava como vítima das CR e não responsável por elas, trazendo falas sempre resposabilizando outras pessoas ou sitiações, repertório pouco desenvolvido de  autocontrole, vida financeira desorganizada (gastos maiores que os ganhos, contas atrasadas, uso do cartão de crédito de terceiros, etc.) o que contribuía para uma rotina de vida desorganizada, -  padrão sensorial de resposta e dificuldades na discriminação das contingências de reforçamento (CR) em operação na sua vida. Produto de uma história de CR com pouca disponibilidade  de reforçadores positivos, pobreza de modelos de afeto e de comportamentos sensíveis por parte dos pais, tal história de CR  contribuía para a manutenção de comportamentos  pouco sensíveis  à  família e à pessoas do cotidiano. No processo psicoterapêutico, por meio de procedimentos de instrução verbal, descrição de CR, reforçamento positivo, dentre outros, a psicoterapeuta procurou atuar no repertório deficiente para que o cliente se comportasse de modo a: 1) discriminar  os sentimentos pela ex-esposa, 2) reduzir a emissão de respostas do padrão   sensorial  que produziam consequências aversivas para si e para o outro e 3) emitir respostas sensíveis - aos sentimentos dos outros. Durante o processo psicoterapêutico Ivan conseguiu discriminar algumas CR, passou a discriminar  os sentimentos, verbalizar a necessidade de se comportar de maneira mais organizada, e também a verbalizar a decisão de separar judicialmente da ex-esposa, sem solicitar a guarda permanente dos filhos, algo que ele não estava certo em solicitar.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR), divórcio; auto controle; padrão de comportamento sensorial.