Atividade: Comunicação Oral

ALGUMAS CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO RELEVANTES PARA O
DESENVOLVIMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA: EXEMPLO DE CASO CLÍNICO

 

ALAN SOUZA ARANHA

Claudia Kami Bastos Oshiro

USP-SP

A dependência química é geralmente descrita como uma doença derivada dos efeitos do uso continuado de substâncias psicoativas sobre o cérebro. As substâncias teriam a capacidade de desarranjar o funcionamento regular do sistema nervoso central, provocando ou intensificando comportamentos impulsivos que, por sua vez, produziriam prejuízos em todas as áreas da vida do indivíduo. Como em relação às demais psicopatologias, a Análise do Comportamento compreende o uso abusivo de drogas como um comportamento aprendido, regido pelas mesmas leis de um operante classificado como “normal”. Uma análise funcional revela que as drogas de abuso podem exercer diferentes funções de estímulo sobre o comportamento de um organismo, tais como as de reforçador positivo, estímulo discriminativo, estímulo punidor positivo etc. O efeito fortalecedor de uma substância sobre o comportamento não é suficiente para explicar a manutenção da condição, visto que nem todas as pessoas que autoadministram drogas desenvolvem um padrão dependente severo. Levanta-se a hipótese que a análise molecular das contingências não é suficiente para explicar a instalação e manutenção da dependência de drogas e que outros eventos críticos devem ocorrer para que o padrão seja instalado e mantido. A literatura da área aponta como fatores de risco o isolamento social, a impulsividade, o ambiente familiar adverso, entre outros. O objetivo do presente trabalho é apresentar algumas contingências de reforçamento relevantes para o desenvolvimento desta psicopatologia, exemplificando com experimentos de pesquisa básica e um estudo de caso clínico. O cliente, Rafael (63), procurou atendimento para alterar seus comportamentos de alcoolista, relatando ingerir álcool desde seus 18 anos de idade. O abuso de drogas aumentou progressivamente até os 43 anos, quando se separou e retornou à residência dos pais, passando a se manter a maior parte do tempo bebendo em bares e em seu quarto, até o momento que buscou tratamento. Uma avaliação da história de contingências de reforçamento e dos comportamentos clinicamente relevantes em sessão apontou para um histórico de modelos inadequados de interação social, baixa densidade de reforçadores contingentes nas relações interpessoais familiares e reforçamento positivo não-contingente em forma de privilégios, dinheiro, moradia etc. Essas variáveis não favoreceram a construção de um repertório capaz de produzir reforçadores positivos alternativos aos da substância de abuso e poderiam estar relacionadas à manutenção do padrão de alcoolismo.

Palavras-chave: Dependência química; análise de contingências; Terapia Comportamental; psicopatologia; alcoolismo.