Atividade: Curso

TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR) APLICADA A CASOS DE DIFÍCIL CONDUÇÃO NO ATENDIMENTO DE CRIANÇAS: INFLUÊNCIAS DE CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO MATRICIAIS

 

Renata Cristina Gomes

Priscila M. L. Ribeiro Manzoli

ITCR - Campinas

 

Guilhardi (2015) introduziu o conceito de Contingências de Reforçamento Matriciais (CRM) ao descrever a existência de contingências de reforçamento que exerceriam controles sutis e interacionais poderosos e produziriam padrões comportamentais tão fortes (frequentes, intensos, duradouros, que se generalizam para diferentes contextos) que se manteriam insensíveis a novas CR. Tais padrões comportamentais matriciais seriam especialmente desafiadores para o psicoterapeuta, uma vez que, embora usualmente relacionados a queixas trazidas pelos clientes e por pessoas relevantes de seu convívio, seriam produto de intricado conjunto de variáveis controladoras cuja identificação e alteração seriam complexas. No atendimento psicoterapêutico de crianças, o efeito das CRM também é sentido e ajuda a compreender a resistência ou a dificuldade do cliente e dos pais em modificar os comportamentos problemáticos. O objetivo do curso é apresentar conceitualmente as CRM e ilustrar a utilidade clínica de sua compreensão por meio da discussão de casos de atendimento infantil em Terapia por Contingências de Reforçamento. Para tal, será discutido o caso de Tom (4), filho único. Tom foi encaminhado pela escola. Na primeira sessão, a mãe relatou as dificuldades do filho: “Tom é muito reservado, tímido. Ele também é mimado e birrento. (…) Ele interage pouco com crianças. É a única criança da família. Como ele só convive com adultos, todos fazem as vontades dele”. Na escola, apresentava o mesmo padrão de comportamentos que em casa: não cumpria regras, brincava sozinho, não participava das atividades propostas pela professora. Tom apresentava déficits importantes nos repertórios de tolerância à frustração, seguimento de regras e interação social. As vontades de Tom eram atendidas prontamente. Quando frustrado, chorava, agredia, gritava e, como consequência, os familiares retiravam a estimulação aversiva. Os pais apresentavam repertório limitado para estabelecer regras e consequenciar os comportamentos do filho. As consequências eram pouco eficientes ou inexistentes diante do não cumprimento das regras, inclusive na escola. Tom convivia com adultos a maior parte do tempo, tinha poucas oportunidades de interação com pares. Além disso, os pais eram tímidos, tinham poucos amigos, o que restringia ainda mais o contato social de Tom.

Palavras-Chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); Contingências de Reforçamento Matriciais; criança “birrenta”.