Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)

 

“TAKE IT EASY”: ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)

 

MARIANA SIMÕES FLORIA
Patrícia Panho Ferronato
Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento

 

Gabriela (29) cursava o último ano de doutorado em Engenharia Química em uma universidade pública. A cliente relatou preocupação com a qualificação do doutorado, tendo dificuldades em lidar com a quantidade de tarefas que deveria realizar até a data agendada. Gabriela apresentava comportamentos ansiosos quando não conseguia organizar sua rotina de estudos, além de apresentar um alto nível de exigência em relação às atividades acadêmicas. Estudava intensamente, abdicando de outras atividades reforçadoras, sem horários de descanso. Apresentava comportamentos encobertos relacionados à preocupação com o tempo restante para a entrega das tarefas. Tinha um déficit no repertório de comportamentos socialmente habilidosos, apresentava dificuldade em expressar seus sentimentos e fazer pedidos às pessoas com quem convivia. Apresentava variações de um padrão passivo nas das relações: emitia comportamentos prioritariamente sob controle do que julgava ser reforçador para o outro (ainda que, me muitas situações, tal julgamento não fosse acertado);  apresentava dificuldade em iniciar interações sociais; isolava-se dos amigos e colegas de trabalho. Os familiares de Gabriela apresentavam um padrão comportamental semelhante. Havia cobrança por alto desempenho por parte da família, o que também era valorizado e reforçado no ambiente acadêmico. Objetivou-se tornar a cliente consciente das contingências de reforçamento (CR) em operação; diminuir a ocorrência de comportamentos ansiosos em relação às atividades acadêmicas; e ampliar o repertório de comportamentos socialmente habilidosos (tornando a cliente mais sensível a seus próprios sentimentos, , fortalecendo a iniciativa de aproximação  dos amigos e a expressão de seus pensamentos e sentimentos). Adotou-se o procedimento de descrição das CR em operação, de modo a tornar a cliente consciente dos comportamentos que emitia que aumentavam a probabilidade de comportamentos ansiosos, e de outros que reforçavam os comportamentos indesejados das pessoas com quem se relacionava. Um procedimento de controle de estímulos foi elaborado de forma a planejar uma rotina de estudos para a cliente, de acordo com o tempo disponível e as atividades a serem realizadas durante o doutorado. Foram apresentados modelos de interação social mais desejada e a psicoterapeuta reforçava diferencialmente comportamentos socialmente habilidosos emitidos em sessão ou descritos pela cliente. Notou-se uma diminuição da emissão dos comportamentos ansiosos de Gabriela no período que antecedeu sua defesa de doutorado; aumento da emissão de comportamentos assertivos em relação ao pai, mãe e namorado; maior engajamento em comportamentos com alta probabilidade de reforço social e desenvolvimento de seu repertório de descrição das CR.

 

Palavras-chave: Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR); comportamento ansioso; comportamento inassertivo.